segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Ausência de políticas públicas: um gatilho para o extermínio da vida negra

Por Marineia Ferreira*
Alexandre Soares (colaboração) **
Fotos: Paloma Melissa ***


Segundo o Atlas da Violência de 2017, o Brasil registrou, em 2015, 59.080 homicídios. Isso significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes, mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, uma redução de 3,3% na taxa em relação a 2014. Os homens jovens continuam sendo as principais vítimas: mais de 92% dos homicídios acometem essa parcela da população.

Estes dados apontam que a criminalidade ainda é o principal o fruto do descaso do poder público. Em Belém, somente este ano foram registradas oficialmente cerca de quatro chacinas nas quais vitimaram aproximadamente 47 pessoas e em sua maioria, negras. Diante dessa realidade, o Instituto Universidade Popular, por meio da Agência de Notícias Jovens Comunicadorxs da Amazônia em parceria com o Coletivo Tela Firme, Coletivo de Juventude Negra do Cedenpa, Fase Amazônia, Fundo Brasil de Direitos Humanos, Projeto Conexão de Saberes, entre outros, realizaram na ultima terça (19) na Paróquia São Domingos de Gusmão na Terra Firme, uma audiência pública para debater com a comunidade, sociedade civil e representantes do poder publico o Extermínio da Juventude Negra.

Anna Claudia Lins Oliveira 
Ouvidora do Sistema de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Pará

A audiência teve como objetivo provocar e alertar a sociedade civil e chamar a atenção do poder público para ás diversas formas de violência contra a juventude negra. O evento contou com a presença de moradores, lideranças populares, organizações do bairro e de outros, Comissão de Direitos Humanos e Igualdade Racial da OAB/Pa, Secretaria de Segurança Pública, Propaz Juventude, Unidade Integrada ProPaz, Frente Parlamentar de Juventude e Comissão de Direitos Humanos da  Assembléia Legislativa do Pará.

A programação iniciou com apresentação do vídeo “PODERIA TER SIDO VOCÊ!” produzido pelo Coletivo Tela Firme, trata-se de uma encenação que relembra quatro chacinas em Belém. Em seguida a jovem ativista negra Maynara Santana, estudante de nutrição e integrante do Coletivo de Juventude Negra do Cedenpa fez a leitura de uma carta-protesto, em que destacou “O genocídio do jovem negro passa a ter um peso ainda maior quando visto do espectro da história não é mesmo? Soa como algo planejado, arquitetado, caso pronto, feito, crime perfeito orquestrado pelo maestro mais cruel de todos os tempos: O RACISMO!”.

Maynara Santana - Cedenpa

Segundo Diego Teófilo, educador da Unipop, relata que desde quando se iniciou o processo de construção da mesma a proposta era romper com a formalidade das audiências quando são realizadas no espaço do parlamento e destacou “criar as condições e o espaço para que os presentes pudessem falar, era nosso principal objetivo, para aqueles que tem o papel no monitoramento e criação de políticas, neste caso o parlamento e poder executivo, e assim apresentar suas demandas”.

Entre os blocos da audiência foram realizadas diversas intervenções culturais de jovens da comunidade e de outras, entre eles Andrei Ribeiro, estudante de Serviço Social da UFPA, Demo Drew, 2KP, Street e DomMc. Durante as falas houve relatos e propostas de encaminhamento de moradores da comunidade, movimentos organizados e do poder público, entre eles: Formação de um grupo de trabalho para discutir e monitorar as recomendações apontadas pela CPI das Milícias em 2014; Desarquivamento dos processos da chacina de 2014, que envolvem policiais militares; e Criação de um grupo de dialogo da Terra Firme para discutir a reativação da antiga delegacia para transforma-la em um espaço de cultura para o bairro.

Intervenção cultural

Para Paloma Melissa, integrante da agência de notícias a audiência pública é uma forma de participação e de controle popular da Administração Pública no Estado Social e Democrático de Direito, que destacou “o bairro da Terra Firme, vítima de um processo de discriminação, marginalização e como se já não bastasse, de chacinas. A comunidade pôde participar da Audiência Pública feita por jovens da periferia conhecedores e vítimas de um sistema discriminatório, vozes foram ouvidas por parte dxs Representantes do Poder público à espera de uma resposta, proposta e ação na mudança do nosso quadro social que cada vez mais fica sangrento,  tornando jovens em especial a juventude negra vítimas de um apartheid social”.

Enquanto movimento social estamos vigilantes para que o direito humano aos jovens negros seja garantido e visibilizado por meio do nosso trabalho que é o de comunicar, contribuir no empoderamento e promover a autonomia, visto que a juventude precisa necessita ser protagonista de sua história e para isso, portanto, ela precisa estar viva e livre de qualquer resquício do racismo.

Sobre a Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia
Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia, é projeto realizado pelo InstitutoUniversidade Popular – UNIPOP, em parceria com o Fundo Brasil de DireitosHumanos, e parceira local com o Coletivo Tela Firme, Rede de Jovens Mais Pará e Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará – CEDENPA.
A Agência tem por objetivo a constituição de um espaço de mobilização contra extermínio de jovens negros e de visibilidade de práticas positivas desenvolvidas por coletivos, grupos, organizações sociais, entre outros nas periferias de Belém.

* Articuladora jovem da agência de notícias, estudante do curso técnico em Vigilância em Saúde e integrante da Rede de Mulheres Negras.
** Articulador jovem da agência de notícias e estudante de jornalismo.
*** Articuladora jovem da agência de notícias, estudante de Serviço Social e voluntária do Movimento Republica de Emaús.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

UNIPOP e organizações parceiras realizarão Audiência Pública na Terra Firme

Por Alexandre Soares*

Foto: Juliana Aleixo

O Instituto Universidade Popular (UNIPOP), por meio da Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia (JCA), em parceria com Coletivo Tela Firme, Coletivo de Juventude Negra do CEDENPA, FASE Amazônia, Conexão de Saberes, Frente Parlamentar das Juventudes, apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos e Ação para Mundo Solidário e outras organizações, realizarão uma Audiência Pública que tratará do tema: EXTERMÍNIO DAS JUVENTUDES NEGRA, que ocorrerá no dia 19 de Setembro de 2017, às 18 horas, na quadra da Paróquia São Domingos de Gusmão, localizada na Av. Celso Malcher, com Rua São Domingos, Bairro da Terra Firme.
O objetivo da Audiência é provocar a sociedade civil e chamar a atenção do poder público sobre as formas de Extermínio da Juventudes Negras. Assim, mostrando quem são esses jovens, negros, que a todo momento são vitimados na periferia, pelo o estado, e também, dar voz a sociedade civil, sendo uma Audiência que vai na contra mão das que são realizadas no Parlamento. Conscientizando a comunidade, em especial a da Terra Firme, sobre essas ocorrentes mortes e discursos retóricos que são impostos e reproduzidos na periferia.
Nos últimos anos temos acompanhado o crescimento da violência urbana, um crescimento marcado pelo racismo e desigualdade social. Segundo o Atlas da Violência de 2017, a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. Os negros possuem chances 23,5% maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, elementos que corroboram com extermínio de jovens, sobretudo negros, do sexo masculino e moradores de áreas periféricas, vítimas de uma violência praticada pelo estado e poder paralelo, por meio da criminalidade e de milícias.
Além do mais, um retrato dessa violência são as chacinas que ocorrem provocadas após assassinato de policiais, elemento que também tem preocupado a sociedade civil, visto que estamos falando de vidas interrompidas. A chacina de Belém, registrada nos dias 04 e 05 de novembro de 2014, em vários bairros da cidade, entre eles a Terra Firme, na qual 11 pessoas foram executadas, expos a fragilidade do estado frente ao seu aparato de segurança e políticas públicas que enfrentem o problema da violência em nossa cidade.
É de fundamental importância garantir o direito a vida das juventudes na periferia, em especial dos jovens negros que tem sido alvo constante neste cenário de violência e morte em nosso estado. Ainda, de acordo com o Atlas da Violência de 2017, o Brasil registrou, em 2015, 59.080 homicídios. Isso significa 28,9 mortes a cada 100 mil habitantes, mais de 318 mil jovens foram assassinados no Brasil entre 2005 e 2015. Apenas em 2015, foram 31.264 homicídios de pessoas com idade entre 15 e 29 anos, uma redução de 3,3% na taxa em relação a 2014. Os homens jovens continuam sendo as principais vítimas: mais de 92% dos homicídios acometem essa parcela da população.
Portanto, este será um momento voltado para discutir com a sociedade e poder público um problema bastante presente e crescente em nossa capital. 

*Estudante de jornalismo, jovem articulador da Agência JCA.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ato denúncia o extermínio da juventude negra

Por Marineia Ferreira, Lara Costa e Delliane de Lima (colaboração) | Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia.
Fotos: Jean Brito



O Instituto UniversidadePopular (Unipop) através da Agência de Noticia, em parceria  com o Fundo Brasil de Direitos  Humanos e Ação Mundo coletivo, realizou no último sábado (01), um ato contra o extermínio da juventude negra. A ação aconteceu na Praça do Marex e teve como principal objetivo sensibilizar a comunidade local sobre o tema e denunciar a violência física e simbólica sofrida pelos jovens negros. O evento contou com a participação de jovens de diversos bairros, além de apresentações de coletivos e grupos artísticos.

Este é o terceiro ato contra o extermínio de jovens negros promovido pela Unipop. De acordo com o educador, Diego Teófilo, esse ato além de chamar atenção da comunidade para a violência, visa também dar oportunidades para outros grupos sociais debaterem sobre o assunto. “O objetivo do ato além de buscar sensibilizar a comunidade presente na praça, foi também abrir espaço para ONGs, grupos, coletivos, redes e artistas de rua mostrarem o contra ponto da violência, através da autonomia, conhecimento e participação de mulheres e homens que lutam diariamente contra o racismo institucional por meio de seus trabalhos sociais e da arte”, disse ele.

A Representante da Rede de Mulheres Negras, Sabrina Souza, participou do ato e atenta para a violência contra a mulher negra. “Quando uma de nós sofre algum tipo de violência, todas as outras mulheres negras sofrem com isso também porque a violência contra a mulher branca diminuiu 9% enquanto que as opressões que nos atravessam só estão aumentando. As pessoas precisam entender que sofremos duplamente por conta do racismo e isso dói muito", falou.



A Integrante do Coletivo de Juventude do Cedenpa, Débora Correa, explica que o fortalecimento do Movimento Negro é fundamental para enfrentamento do genocídio de jovens negros, e fala sobre a importância da participação no ato “Tentamos minimamente estarmos presentes em momentos como este porque precisamos fortalecer o movimento negro e mostrar para as outras pessoas que a juventude negra está resistindo”, disse ela.

O evento visa também, fortalecer as mais diversas manifestações artísticas, pois é através da arte que muitos jovens superam obstáculos e chegam a uma nova situação social. Por isso, durante programação, vários grupos artísticos se apresentaram, entre eles a Companhia de Dança de Rua Stillus, e o grupo musical de Jovens do Movimento República Emaús. Houve ainda batalhas de MC’ s que competiram improvisando sobre temas de conhecimentos. O Mc Diego Maia, venceu a competição e foi premiado com medalha

O Fundador e coordenador da companhia de Dança Stillus, David Nascimento, 20, afirma que através da dança, jovens conseguem sair das situações de vulnerabilidade e criminalidade, mas que para isso, é necessário investimento por parte do governo. “A dança é a arte que salva tanto negro quanto branco que estão na criminalidade. O que precisa é que o nosso governo invista em cultura, pois a ela salva e ninguém precisa estar morrendo por aí”, falou.

Foi por meio da dança que Everton Luan, 18, encontrou uma maneira de se proteger contra preconceitos e discriminação que enfrenta por ser homossexual e negro. “Minha arte é também pra lutar contra o que eu sofro todos os dias, cada passo que eu dou, cada movimento que eu faço é por uma luta que sofro todos os dias como preta. Então cada comentário que fazem de racismo ou homofobia eu não me calo porque eu posso expressar totalmente meu conhecimento e tudo que eu sou”, Afirmou.



O ato é também uma homenagem para as pessoas que morreram vítimas de preconceitos, racismo, homofobia e machismo. Uma forma de protestar contra todos os tipos de violência que vêm acontecendo no País. Inclusive a que levou o jovem Rafael Braga a ser condenado a 11 anos e três meses de prisão, além do pagamento de R$ 1.687, pelo porte de pinho sol e supostamente ser flagrado na posse de 0,6g de maconha, 9,3g de cocaína e um rojão. O mesmo nega e afirma que a droga foi plantada, os únicos depoimentos que sustentam a acusação são dos policiais.

Queremos o jovem negro vivo.
Queremos o jovem negro livre.
Queremos Rafael Braga vivo e livre.


domingo, 25 de junho de 2017

Ato mobiliza comunidade contra o extermínio da juventude negra

Por Delliane de Lima*

Arte: Marcus Ayres

A Unipop, por meio da Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia, em parceria com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, realiza no dia (01) de julho, um ato contra o extermínio da juventude negra. A ação acontecerá na Praça do Marex a partir das 16h e tem como objetivo sensibilizar e mobilizar a comunidade local   sobre a questão do extermínio de jovens negros nas periferias da cidade.

O evento terá a participação de coletivos, organizações além de apresentações culturais. Durante a programação serão distribuídos panfletos e outros materiais informativos para que as pessoas presentes no local se informem e denunciem a violência contra a juventude negra.

Esse é terceiro ato contra o extermínio de jovens negros que a Agência de Jovens Comunicadores, projeto da Universidade Popular (Unipop) irá realizar. “Estamos indo para o nosso terceiro ato, desde o início nossa estratégia tem sido falar diretamente com as pessoas que vivem na periferia e que pouco sabem sobre esse fato, mas estão diretamente inseridas neste contexto. Acredito que seja de extrema importância falar e denunciar este problema em diversos espaços, principalmente na periferia e isso tem sido possível por meio dos atos da agência,” afirma o educador, Diego Teófilo.

Crianças durante ato na Cremação | Foto: Juliana Aleixo

Homicídios
Lançado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança   Pública, o Atlas da Violência 2017 mostra que a cada 100 pessoas assassinadas no Brasil,71 são negras. De acordo com o estudo, o   cidadão negro possui chances 23,5% maiores de sofrer assassinato em relação a cidadãos de outras raças, já descontado o efeito da idade, sexo, escolaridade, estado civil e bairro de residência. Diante desse cenário atual, a Agência tem por objetivo a constituição de um espaço de mobilização contra extermínio de jovens negros e de visibilidade de práticas positivas desenvolvidas por coletivos, grupos, organizações sociais, entre outros nas periferias de Belém.

Serviço: Ato contra o extermínio da juventude negra
Onde: Praça do Marex
Quando: 1° de julho
Hora: a partir das 16 horas

* Jovem articuladora da agência de notícias e estudante de comunicação da Estácio/FAP. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Campanha Jovem Negro Vivo, da Anistia Internacional, chega à Belém


Na próxima terça-feira, 23 de maio, a Anistia Internacional e parceiros locais convidam para o debate de lançamento da campanha “Jovem Negro Vivo” no auditório da Universidade Estadual do Pará, campus Djalma (Travessa Djalma Dutra, s/n) a partir das 18h.

A parceria da Anistia Internacional com as organizações locais Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Cedeca/Emaús, CEDENPA, Dhavida e Unipop pretende valorizar o protagonismo dos jovens em defesa dos seus direitos, de modo a sensibilizar pessoas sobre o principal perfil da vítima de homicídios no país e chamar a atenção para mudanças.

O debate contará com a presença de Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil; Renata Neder, assessora de direitos humanos da Anistia Internacional; Alejandro Falabelo, militante efetivo do coletivo Juventude Negra do CEDENPA; Paula Wanessa Santos Pimentel, integrante do DHAVIDA; David da Silva e Silva, familiar de Allersonvaldo Mendes, apelidado de "Jarrão, vítima de chacina ocorrida em 2014; e Marineia Ferreira, da Unipop.

“O Brasil é o país onde mais se mata no mundo em números absolutos, são cerca de 60 mil por ano. Trazer a campanha para Belém é ampliar a mobilização em torno de um tema que faz parte da realidade diária de quem vive nos territóros de periferia: o assassinato de seus jovens. Nossos parceiros locais já trabalham com este tema há anos e agregam muito ao acrescentar sua expertise sobre a realidade local. Juntos podemos fazer mais”, afirma Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional no Brasil.

Com a campanha Jovem Negro Vivo, a Anistia Internacional convida todas as pessoas a romper o silêncio e a indiferença diante desta realidade, mobilizando a  sociedade para assinar o manifesto “Queremos ver os jovens vivos”, que defende o direito a uma vida livre de violência e preconceito. E ainda pede políticas públicas de segurança, educação, saúde, trabalho, cultura, mobilidade urbana, entre outras, que possam contribuir para o enfrentamento desta realidade.


Campanha
As peças desenvolvidas para a campanha Jovem Negro Vivo dão um panorama sobre os números da violência no Brasil, comparado a outros países, inclusive, aqueles que vivem conflitos armados. E mostram também como os homicídios vitimam mais os jovens do que a população brasileira em geral. Veja neste link.

Os dados são contundentes em mostrar como os homicídios no Brasil têm atingido mais os jovens e, entre eles, os negros. Enquanto a taxa da morte de jovens brancos tem diminuído, a que se refere à morte de jovens negros tem aumentado anualmente.


Programação

18h15: Apresentação Cultural
Layssa Cristine conhecida como “Nega Ysa Mulher Negra”, cresceu no Candomblé, tem 22 anos e atua como atriz, rapper e faz apresentações de dança Afro.

18h45: Mesa de debate “Jovem Negro Vivo” com Anistia Internacional, CEDENPA, DHAVIDA, familiar de vítima da chacina de Belém e Unipop.

19h45: Apresentação
David Silva, familiar vítima da violência da chacina de Belém, apresenta sua música autoral composta em homenagem às vítimas de violência da cidade de Belém.

19h50: Apresentação
Moraes MC - Grupo TQSS
Apresentação dos meninos do rap da cena periférica de Belém.


Informações para a Imprensa
Mariana Oliveira e Daiene Mendes
imprensa@anistia.org.br
(21) 3174-8627 / 99730-3617


Fonte: Anistia Internacional

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Ato mobiliza comunidade contra extermínio de jovens negros em Belém

| Por Ariane Barbosa, Diego Teófilo e Marineia Ferreira, articuladores da Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia | Fotos: Juliana Aleixo
O extermínio de jovens negros, apesar de ter se acentuado nas periferias do país nos últimos anos, ainda é uma questão ignorada.
Jovens participantes do ato | Foto: Juliana Aleixo
De acordo com o Mapa de Violência de 2016, em 1980 foram registrados 8.710 homicídios por armas de fogo, saltando para 44.861 em 2014. A principal vítima da violência homicida no país são jovens negros de 15 a 29 anos. Em 2003, a pesquisa contabilizou 20.291 vítimas negras; 11 anos depois, em 2014, o número aumentou em 46,9%, passando para 29.813 vítimas.
E essa violência se sustenta no racismo institucional e sistêmico.
Estamos falando de vidas invisibilizadas, dentro de uma estrutura racista e negadora de direitos, que ainda respiram o ar do sistema escravista. Logo, o extermínio segue “padrões” estabelecidos simbolicamente pela sociedade, percepções de quem seria o “elemento suspeito”, ou o “alvo a ser combatido”, padrões que são reproduzidos pelo braço do Estado, por exemplo, através da polícia militar.
relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o assassinato de jovens no Brasil, publicado pelo Senado Federal em 2016, chama a atenção para a necessidade do país em combater o um de seus maiores problemas sociais: o racismo.
“[A morte de jovens negros no Brasil] se relaciona fundamentalmente às sequelas provenientes dos mais de três séculos de vigência do regime escravista. A escravidão baseada na clivagem racial acarretou tanto a chaga do racismo, quanto do preconceito e da discriminação racial. Até os dias de hoje as desigualdades sociais – notadamente às de renda e, principalmente, às de oportunidades, têm na diferenciação racial sua principal raiz explicativa”, afirma o relatório. 
Mobilização e luta: a juventude negra tem o direito de viver
O dia primeiro de abril é considerado por muitas pessoas como o dia da mentira, mas para a comunidade do Barreiro, localizada na Região Metropolitana de Belém, a violência está longe de ser um simples boato. Na comunidade do Barreiro a violência, assim como suas vítimas, é real.
Por isso, a Agência de Notícia Jovens Comunicadores da Amazônia promoveu o seu segundo “Ato contra o Extermínio da Juventude Negra na comunidade”, no último sábado, dia 1 de abril. O evento reuniu dezenas de pessoas no bairro e percorreu várias ruas com a parceira da Pastoral do Menor, pertencente à Paróquia São Benedito.
Mulher da comunidade Barreiro |Foto: Juliana Aleixo
A coordenadora da Pastoral do Menor na comunidade do Barreiro, Andréa do Rosário, relatou a importância do ato para a mobilização da população. “Vai nos ajudar a sensibilizar os moradores da comunidade, que eles possam também saber sobre o extermínio da juventude na periferia”, declarou. 
Durante a caminhada, os organizadores do ato abordaram moradores e moradoras com objetivo de sensibilizá-los sobre o tema do extermínio de jovens negros nas periferias, sobretudo chamando a atenção para o direito à vida das juventudes.
Um morador, cuja identidade foi preservada por segurança, relatou a dor em ver seus dois filhos assassinados em menos de um mês. ”Meus filhos nunca se envolveram no mundo do crime. O meu mais velho tinha 33 anos e o menor 12 anos e também não devia nada, mas a polícia que antes protegia, hoje ela mata”.
O ato terminou na Paróquia São Benedito, onde foi realizado um cine debate sobre racismo com crianças e adolescentes, a partir da exibição do curta Pode me chamar de Nadí, que retrata atos de racismo vivenciados por uma criança negra.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Ato mobiliza comunidade contra extermínio de jovens negros

Charge Latuff 2011, reprodução facebook.

Segundo a Anistia Internacional, em 2012, o Brasil registrou 30.000 homicídios de pessoas entre 15 e 29 anos. Destes, 77% eram negros. O Mapa da Violência de 2016, aponta que em relação a cor das vítimas em 2003 foram cometidos 13.224 homícidios por armas de fogo na população branca, em 2014 esse número desce para 9.766, o que representa uma queda de 26,1%. Em contrapartida, o número de vítimas negras passa de 20.291 para 29.813, aumento de 46,9%. Para além deste dados existe uma predominância quase exclusiva da masculinidade das vítimas, na faixa de 15 a 29 anos de idade.

Portanto, o extermínio nas periferias brasileiras tem cor, sexo e faixa etária, são jovens negros que tem suas vidas ceifadas e com o braço do estado presente. Nesse sentido, dando continuidade as ações da agência de notícias estaremos no próximo sábado (01) no bairro do Barreiro denunciando o extermínio de jovens negros nas periferias da cidade, com apoio da Pastoral do Menor da Paróquia de São Benedito.

A jovem Naiane Queiroz, integrante da agência de notícias, destaca que “o II Ato Contra o Extermínio da Juventude Negra será uma grande  oportunidade de debater, trocar experiências e conhecimentos para combatermos essas estatísticas, e construir alternativas reais para o enfrentamento às violências que acometem a Juventude Negra na cidade”, finaliza.
O ato seguirá em caminhada por algumas ruas do bairro finalizando na Paróquia de São Benedito, onde será realizado um Cine Debate sobre o tema.

Sobre a Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia
Agência de Notícias Jovens Comunicadores da Amazônia, é projeto realizado pelo Instituto Universidade Popular – UNIPOP, em parceria com o Fundo Brasil de Direitos Humanos, e parceira local com o Coletivo Tela Firme, Rede de Jovens Mais Pará e Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará – CEDENPA.
A Agência tem por objetivo a constituição de um espaço de mobilização contra extermínio de jovens negros e de visibilidade de práticas positivas desenvolvidas por coletivos, grupos, organizações sociais, entre outros nas periferias de Belém.

Serviço
II Ato Contra o Extermínio da juventude Negra
Data: 01/03/2017 (Sábado)
Horário: 08h
CONCENTRAÇÃO: Pass.Mirandinha com Pass. Caju - Barreiro